As horas desmaiam,
Por corações que estão frios,
E avistam nos outros seres vazios,
Que altivos reparam.
Que o mundo é deles,
Dos que nós não somos,
Os que nós não fomos,
E o que são eles.
Sabe tão bem,
Despedirmo-nos do mal,
Enfatizarmo-nos em moral,
Que mate outrém.
Que morra o acaso,
E se acabe o mundo,
No nosso egoísmo imundo,
É o nosso passo,
Que marca o fim.
Enquanto as terras tremem,
E algures os Homens gemem,
Dizemos que sim.
Dizemos que não.
Somos os donos de qualquer lugar,
A regra de qualquer olhar,
A infinita razão.
De sermos nós,
Dá-nos o poder de fazer,
De enriquecer e empodrecer,
Conforme a voz.
Conforme o ser.
O grito da existência é determinado,
Do prazer á dor o resultado,
Assim é viver.
Enguiço por enguiço,
Preços que temos que pagar,
Verdades que temos de negar,
Somos tudo isso.
O dom de mentir.
O fio da nossa nascença,
E o consumar da nossa existência,
É o algo a fingir.
O tudo por nada.
Desalinhado de qualquer sentimento,
Somos um contínuo esvaziamento,
Até á meta desejada.
Os rios são difíceis,
E do mar construimos um assassino,
O vento é caustico ao nosso destino,
Somos tão sensíveis.
Amando na televisão,
Vendemos a dor de sermos mortais,
Amamos os dogmas e as morais,
De coração na mão.
Somos tão solidários.
Palavra propagandeada a belo uso,
Para aconchegar o carácter obtuso,
De alguns milionários.
Somos o que discorre,
Do paradoxo entre o ódio e a serenata,
Do semblante do homem que mata,
E daquele que morre.
Tomamos a rédea,
E na maioria fardamo-nos de escravos,
De uma minoria de conclaves.
Então qual é a tragédia?
Como pode algo,
Ser pior que do que o que nos fazemos?
Tudo aquilo que nos trazemos.
Como pode ser salvo?
Anunciamos dia por dia:
Matamos desmesuradamente em passividade,
Somos a omissão da verdade,
Oh divina hierarquia!
De um mundo doente,
A matéria da vida que quisemos matar,
De repente sofre por respirar,
E o Homem sente.
Escuta a morte anunciada do presente.
Mas o Homem mente,
Mas como assassinar-se em seu próprio ventre?
E o homem sente.
Quando o mundo passa rente.
E sentem ambos... mutuamente.
sexta-feira, 12 de março de 2010
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