segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Contra-mão

No gélido escuro emano
A penitência de monstros distantes
Do nervo humano.
Aprendo a amar a dor de palpitações errantes.
Na residual essência
De tudo aquilo que tomo como teu
Está a minha dissidência.
A nuvem solitária que atenua a luz do teu céu.
Escorrego na fímbria
Dos incógnitos esbulhos que nos matam lentamente
Nos cambiantes da hipocondria.
As cicatrizes do olhar denunciam a embriaguez da mente.
No ensurdecedor mutismo
De um povo que morre apunhalado no coração
Escuto o abismo.
Vamos em frente, o sangue está quente, há um desertor na multidão.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Cavaquistão

O povo é uma fantasia,
Uma alusão banal à mesmice instruída
Uma quimera destituída de energia,
Toda a coragem foi destruída.
Venham os donos da tua mente,
Contar-te os anos com que te matam,
Venha o sangue da minha gente,
Por todas as ordens que não acatam.
É imperativo compreender o porquê
De se ser tão pequeno no pensamento,
Que permite à vontade caminhar por seu próprio pé,
De querer seu o seu momento.
A minha geração está velha
Na velhice destes costumes hierarquizados,
Sou para a fogueira lenha
Dos olhos que se sentam incomodados,
Ao ler a raiva da poesia de subversão
Que a comunhão acomodada silencia,
Na voluntária construção do Cavaquistão
A hipocrisia do bom senso tem primazia.
Não me contém nem me detém,
No meu sentir na minha necessidade de escrever,
Um Homem não nasceu para ser escravo de ninguém,
E trago os meus ideais por prazer.
Por alento a dar sentido ao que sou,
E ao caminho que percorro por chãos incertos,
É na contra mão que deflagra o meu voo,
Ganho asas e armas nos meus versos.
Não quero saber quantos tu és,
Não gosto de heróis totalitários,
Não faço contas a quantos te beijam os pés,
Nem o tamanho dos seus honorários.
A mesquinhez inspira-se em ti
Como o saudosismo de impérios perdidos,
Deste fragmento de terra onde nasci
O Cavaquistão dos encolhidos.
Não é o meu lugar nem nunca será,
Mas é um sonho que aprendo a cultivar,
Um tempo que não me abandonará,
Pois eu insisto em insistir a lutar,
Todas as derrotas são do peito,
Como cicatrizes que nos azedam as ilusões
Qualquer ideal pode ser refeito,
Até na era dos Cavaquistões.
Os olhos que alcançam outro horizonte,
Serão sempre os meus.
Os medos que corrompem outro horizonte,
Serão sempre os teus.

Estamos em luta…
Nobilíssimo Filho da Puta!