quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Desempregado

Não tenho nome,
Sou só mais um número,
A fórmula da fome.
A mentira que dorme,
Do outro lado do muro.

Preciso de uma obrigação,
Qualquer coisa que me faça infeliz.
Uma espécie de velha monção,
Que me alimente a ilusão,
De sonhar com o que nunca fiz.

Arranja-me uns dias,
Os compassos da minha utilidade,
Compro-te as minhas agonias.
Em nome da abençoada assimetria,
Que dá uso à sociedade.

E depois logo se vê,
É um favor que me fazes,
Não vou colocar qualquer porquê.
Explica-me apenas como é,
E eu insisto que me esmagues.

Somos tão superiores nos nossos processos,
Tão justos no nosso sucesso,
Que o mundo só é um lugar estranho,
Para quem não sabe viver,
Quem não quer aprender,
Que o mundo é um lugar estranho,
Para quem não quer competir,
Quem apenas almeja sentir,
Que o mundo não é um lugar assim tão estranho,
Para a diferença de escolher,
Viver e não apenas deixares-te morrer,
Que lugar tão estranho,
Como tornámos a vida assim,
E a que se deve tal fim?