sábado, 28 de novembro de 2009

Pulsões Idiotas

Vi-te um ensaio tão interessante,
Um pedaço de nada na palma da mão,
Ameaça formar-se a qualquer instante,
Mas sucumbe sempre á luz da razão.
Porque não dás o que queres vender?
E rejeitas o medo do primeiro passo.
Não haverá preço para quem te entender,
E deixarás de viver como um talento baço.
Um dom não pode morrer sem primeiro respirar,
E nos escombros do mundo que te restará,
Excepto o que em ti consegue voar.
O resto é o resto e desaparecerá…
Convido-te a trespassar o meu ser,
Quero desejar o teu talento,
Faz desse pedaço um todo a viver,
Nem que seja por um breve momento.

sábado, 14 de novembro de 2009

A Prostituta Ideológica

Só sei que sou cristão,
Conservador de toda a realidade,
Que traga o poder como tradição.
E a xenofobia como sociedade.
Sou ideologia sem conceito,
Aquilo que melhor te soar ao ouvido.
O mais fácil preconceito,
E na televisão sou bem parecido.
Institui-me na razão avulso,
De uma intrínseca ditadura,
Que te aguardo recluso.
Pois és a semente da tua tortura.
É que nunca quis mudar nada,
E tu tens-me fundamentado,
Após a verdade alcançada.
Regressemos todos ao passado.
É a elasticidade da minha essência,
Que faculta a famigerada segurança.
Coligo-me com a indecência,
Isso não te causa desconfiança?
Não.Sou exímio na arte de vender,
Se logra a tudo o que acreditas,
Então eu deixo a promessa morrer.
E tu a história imitas.
Ou não é ela o teu espaço?
Eu sou as respostas mais fáceis,
E inovar aviva o sangue na face.
Valha-te então, viver em teus fósseis.

sábado, 7 de novembro de 2009

Era só mais um doente mental

Então qual é a era e os âmbitos que a pregam?
Serão tais palavras discriminatórias, a envergadura da publicidade assertiva?
E os olhos desta contrafacção activa,
Serão de bom grado, o termo da saúde que emanam?
Esta monção inanimada é de conformação inconsciente?
E o mundo, viverá num eloquente conceito de caos controlável?
Propagar o medo como doença incurável,
Para uma sociedade de segurança uniforme, e moral consciente?
Mas onde mora moralidade no vício da vitória?
A competição como disciplina elevada a rotina,
Não consagra o homem como um escravo de alheia sina?
É perder humanidade o preço da glória?
Então é de sociedade que apelidamos, o negar da gente?
A diferença não tem lugar na construção da sobrevivência?
Tratando-se de mera obediência,
Quem teve a habilidade de iniciar tal congratulado precedente?
Eu não conheço tal génio, ou será que também mora em mim?
Creio que pelo caminho o perdi,
Mas encontrarei a sua génese em cada um que conheci?
Se assim fosse, estaríamos no fim…

- Doutor e foi isto que encontrei rabiscado no caderno do paciente… Que devo eu fazer?
- Que infame! Mate-o! Não vê que é demente… Mas atenção, sem ninguém perceber.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ansiedade

Já morri vezes sem fim.
E vezes sem fim renasci,
Sim vou morrendo em ti,
Porque tu vives em mim;

És doença sem cura!
E eu resisto em resistir,
Em chegar sem nunca partir,
Clandestino da tua ditadura;

Moro aqui é um facto.
Vivo sobre a tua batuta,
Diariamente tomo esta luta,
E sonho com o dia em que te mato!

Mas tens mil caras e destinos;
Galgas em medo o meu peito,
Pões-me a viver para o receio,
Sou só um conjunto de sentidos perdidos…

Quando tu chegas e ordenas!
A voz do choro é meu ser,
Lacrimejando da vida o querer,
Pedindo clemência a qualquer mecenas.

Mas em mim não te acomodes:
Ainda cá estou e granjeio respirar,
Venero a vida, pois amo amar.
E quando eu vivo, tu Morres!