Os putos passam com garrafas na mão,
Vão até à hipérbole dos sentidos,
Gastar-se um pouco e quem saber perder a razão,
Até se sentirem por demais destemidos,
Tocam guitarra e desatam aos gritos,
Soltam amarras e perdem-se dias,
Ganham-se noites e criam-se mitos,
Exploram seus corpos em liturgia
Perante uma pintura inusitada,
De uma cidade completamente crua
Na sua sórdida fachada,
Que de Lisboa se diz estar nua.
A decadência é um perfume
Munida de um romantismo inegável,
Como que a agitação de um sórdido lume
A uma viagem irrecusável
Até onde os putos se querem desgraçar,
Não têm dinheiro não têm emprego,
"São só putos a delirar",
Mas são eternos, são os filhos do desassossego.
terça-feira, 17 de maio de 2011
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