O que é um Homem vulgar!?
Existem tantos de nós no mundo,
Que nem sei por onde começar,
Ando num marasmo profundo,
Com aquele que não quero ser,
Como que um vazio anunciado,
Que só eu não quis perceber,
E do qual só eu não fui avisado,
Essa mesmice imperativa,
Que me anda a atormentar,
É uma figura pouco criativa,
Do mundo que consigo imaginar.
O que me aborrece são “os tempos”,
Lá vem o tempo com a sua lei,
Como que a apropriar-se dos momentos,
Que não são de ninguém,
Cada dúvida menos dissipada,
Ou carência de criatividade,
Parece ao tempo decretada,
Como que uma renúncia à singularidade.
Existem tempos para tudo.
Escreve-se na idiossincrasia do ser,
Tornando-se em si absurdo,
Aquele que não o queira perceber,
Esse obtuso pigmeu,
Que insiste em mandar o dia embora,
Quando a lua já morreu,
E o sol vem anunciando a hora,
Que é tempo de viver…
Sou eu!
Como bem podes ver,
Um cadáver humano,
Filho bastardo do mestre Orfeu,
Cujo destino é tão profano,
Quanto o ridículo que me tornei,
Quando me senti a morrer,
Por tudo aquilo que não sei,
E por ti me deixei prender…
Oh tempo! Tempo maldito!
Chupas o sangue de cada criatura,
Na promessa dum infinito,
Que não é mais que uma ditadura.
Meu metafórico desastre,
Foste tu pois claro,
Que a todos vulgarizaste
No saldo desse teu preço caro.
E faz noites que ando a sufocar,
Sinto o corpo doente,
Por não ter como te pagar.
Mas tenho em mente,
Que talvez te fique a dever,
Nunca se sabe o amanhã,
E como deves saber,
A vida é deveras vã…
Mas não há mais eterno momento,
Que aquele em que esquecemos do tempo!
quinta-feira, 10 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
Sul
Rumo ao sul,
O vento empurra o mar.
Os olhos cruzam ideias,
Por entre marés cheias,
De corpos a brilhar.
Rumo ao sul,
Como um recém-nascido.
Num comboio vespertino,
Em busca de um destino,
Mas ainda meio perdido.
Rumo ao sul,
O homem que tu és.
Dentro de fábulas risonhas,
As noites com que sonhas,
O mundo a teus pés.
Rumo ao sul,
Nascem searas em agueiros.
Nas viagens ancestrais,
De velhos imortais,
E nómadas regateiros.
Rumo ao sul,
O mundo que mudou,
A casa em que não vivo,
O trilho em que sigo,
Para onde quer que vou.
Rumo ao sul,
Ele entorna uma cerveja.
Molha o corpo quente,
Nas águas em corrente,
Da mulher que deseja.
Rumo ao sul,
Ideais sem norte.
Rugas de derrota,
Numa história torta,
Enfrentando a morte.
Rumo ao sul
Tudo foi mentido.
o tempo que viveste,
Os dias que morreste,
Nada foi sentido.
Rumo ao sul,
Nada é mentido.
Os dias que tu vives,
os picos e declives,
Tudo é sentido.
Rumo ao sul,
Os sonhos num paúl...
Sigo para sul.
O vento empurra o mar.
Os olhos cruzam ideias,
Por entre marés cheias,
De corpos a brilhar.
Rumo ao sul,
Como um recém-nascido.
Num comboio vespertino,
Em busca de um destino,
Mas ainda meio perdido.
Rumo ao sul,
O homem que tu és.
Dentro de fábulas risonhas,
As noites com que sonhas,
O mundo a teus pés.
Rumo ao sul,
Nascem searas em agueiros.
Nas viagens ancestrais,
De velhos imortais,
E nómadas regateiros.
Rumo ao sul,
O mundo que mudou,
A casa em que não vivo,
O trilho em que sigo,
Para onde quer que vou.
Rumo ao sul,
Ele entorna uma cerveja.
Molha o corpo quente,
Nas águas em corrente,
Da mulher que deseja.
Rumo ao sul,
Ideais sem norte.
Rugas de derrota,
Numa história torta,
Enfrentando a morte.
Rumo ao sul
Tudo foi mentido.
o tempo que viveste,
Os dias que morreste,
Nada foi sentido.
Rumo ao sul,
Nada é mentido.
Os dias que tu vives,
os picos e declives,
Tudo é sentido.
Rumo ao sul,
Os sonhos num paúl...
Sigo para sul.
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