quinta-feira, 10 de junho de 2010

A maldição do tempo

O que é um Homem vulgar!?
Existem tantos de nós no mundo,
Que nem sei por onde começar,
Ando num marasmo profundo,
Com aquele que não quero ser,
Como que um vazio anunciado,
Que só eu não quis perceber,
E do qual só eu não fui avisado,
Essa mesmice imperativa,
Que me anda a atormentar,
É uma figura pouco criativa,
Do mundo que consigo imaginar.
O que me aborrece são “os tempos”,
Lá vem o tempo com a sua lei,
Como que a apropriar-se dos momentos,
Que não são de ninguém,
Cada dúvida menos dissipada,
Ou carência de criatividade,
Parece ao tempo decretada,
Como que uma renúncia à singularidade.
Existem tempos para tudo.
Escreve-se na idiossincrasia do ser,
Tornando-se em si absurdo,
Aquele que não o queira perceber,
Esse obtuso pigmeu,
Que insiste em mandar o dia embora,
Quando a lua já morreu,
E o sol vem anunciando a hora,
Que é tempo de viver…
Sou eu!
Como bem podes ver,
Um cadáver humano,
Filho bastardo do mestre Orfeu,
Cujo destino é tão profano,
Quanto o ridículo que me tornei,
Quando me senti a morrer,
Por tudo aquilo que não sei,
E por ti me deixei prender…
Oh tempo! Tempo maldito!
Chupas o sangue de cada criatura,
Na promessa dum infinito,
Que não é mais que uma ditadura.
Meu metafórico desastre,
Foste tu pois claro,
Que a todos vulgarizaste
No saldo desse teu preço caro.
E faz noites que ando a sufocar,
Sinto o corpo doente,
Por não ter como te pagar.
Mas tenho em mente,
Que talvez te fique a dever,
Nunca se sabe o amanhã,
E como deves saber,
A vida é deveras vã…
Mas não há mais eterno momento,
Que aquele em que esquecemos do tempo!

Sem comentários:

Enviar um comentário