terça-feira, 1 de junho de 2010

Sul

Rumo ao sul,
O vento empurra o mar.
Os olhos cruzam ideias,
Por entre marés cheias,
De corpos a brilhar.

Rumo ao sul,
Como um recém-nascido.
Num comboio vespertino,
Em busca de um destino,
Mas ainda meio perdido.

Rumo ao sul,
O homem que tu és.
Dentro de fábulas risonhas,
As noites com que sonhas,
O mundo a teus pés.

Rumo ao sul,
Nascem searas em agueiros.
Nas viagens ancestrais,
De velhos imortais,
E nómadas regateiros.

Rumo ao sul,
O mundo que mudou,
A casa em que não vivo,
O trilho em que sigo,
Para onde quer que vou.

Rumo ao sul,
Ele entorna uma cerveja.
Molha o corpo quente,
Nas águas em corrente,
Da mulher que deseja.

Rumo ao sul,
Ideais sem norte.
Rugas de derrota,
Numa história torta,
Enfrentando a morte.

Rumo ao sul
Tudo foi mentido.
o tempo que viveste,
Os dias que morreste,
Nada foi sentido.

Rumo ao sul,
Nada é mentido.
Os dias que tu vives,
os picos e declives,
Tudo é sentido.

Rumo ao sul,
Os sonhos num paúl...
Sigo para sul.

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